domingo, 11 de outubro de 2015

Agloe by Scentless

We held on but we soon let go,
All the strings inside us broke,
We made a map of nails and skin,
Her flesh is stronger when not here,
Followed, distant secrecy
We're windows, so afraid to live,
The water tastes like her disease,

And she still looks me in the eye,
There's something worthy to see,
The warmth won't feel nice
When we've floated away for so long,

We locked the cars and we crossed our hearts,
Through paper razors the path is sharp,
She's heavy with sleep made poetry,
Won't be like when we imagined it,
She wrote of love and of nothing left,
The note smelled of escapes and red,
And she somehow meant to pick me back,

And she still looks me in the eye,
There's something worthy to see,
The warmth won't feel nice
When we've floated away for so long,

Between ideals and treacherous things,
I seemed to dream of her for years,
But still I hope to fuel belief,
It wasn't hard at all to leave,

And she still looks me in the eye,
There's something worthy to see,
The warmth won't feel nice
When we've floated away for so long

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Jellyfish by Scentless

Old room, small disguise, impostor,
We sit all but silent, these are our hearts,
Have you ever thought how beautiful you are?
I’ve lost the weight of water flowing under you,
The waves’ soothing ripple, crush,
But I hate myself too much,

And somehow I feel closer to you here,

You said “this moment will be gone, how will you remember it in a perfect way?”
But there is nothing that I would change.
I won’t let this be just another lapse of sentimentality,
It’s not right,
It won’t change,

And I seem to always remember your face,
And somehow I feel closer to you here,
It’s all the little things,

The cold that settled in,
The bones we drew ourselves,
To be left alone,
We’re not dreaming of this space anymore,
Sometimes I don’t sleep, you know,
I still hear the water reaching the shore,
And so we drink,
To be left alone,
And our skin is growing old,
Sometimes the music just can’t be wrong,
Sometimes is all about the growing apart,
Lend me that hand of yours,
And I still hear you say “that was truly wonderful”,
Eternal night still wouldn’t be enough,

“The waves belong to us”
My poetically rumoured sayings,
You hold my souvenir in your lips,
And I’m just a cigarette, burning,


But somehow, I feel closer to you here 

domingo, 12 de outubro de 2014

Cidade Morta by Scentless

Passageiro, diz-me quem trazes
De volta à guarda da mente trancada,
Se dormes em notas de falsas morais
Qual é a moral que trazes guardada?

Sinto o teu cheiro a papel e remorso,
Faço o ruído branco de quem não se move,
Louco o sentido de quem já não pode
E por querer sentir, quase que morre.

Sou decadente...

Portas são olhos por entre expressões,
São as coisas temporárias que nos põem de parte,
Quero esse avião a cair agora
E quero um corpo para rasgar em nome da arte.

Foi a minha fraqueza que não nos salvou
Das tuas cicatrizes;

E se me beijasses uma primeira vez verias
Que a recordação era cimento numa cidade de pele,
É o eco de uma dança que não salvou ninguém
É a forma como as mãos fazem padrões no céu,

Porque nós somos transparentes,
Somente estufas de fantasmas.

E se eu te leio os detalhes à meia luz
Quero que vejas o momento, descoberto,
Vandalizamos este corredor feito de fumo
E os teus lábios dão forma a um riso deserto,

E sangras por cada defeito familiar
Que eu nunca mudaria,
Desapareces por entre chamas
Com as páginas que eu lia,

Isto não é História,
Isto é só um jogo que nos mantém à parte.
Não são os nossos demónios que nos fazem nós,
É esta cidade que nos torna reais...



Mas já só gritas por vida
E para mim não há desculpa,
Fui eu que morri...

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Lisbon by Scentless

I can see through the tough luck,
Do you still believe you’re pregnant when you sleep?
You hide your smile in your hair,
Now move along
And grin without a glance to spare,

I can steal through your loopholes,
Turning questions into reasons that you don’t identify,
And is it wrong to dance?
It may be, but you know we don’t rely,
So touch your side with your hands
And move heaven behind those eyes,

You make my heart shrink,
Love, you make my heart shrink,

And we’re not like a piece of art,
And I don’t want to miss you anymore
No, I don’t want to read your mind,
My God…

Because you make my heart shrink,
Yes, you make my heart shrink,

Look alive when we look close,
Seems too soon to be full of life,
But we don’t spare a thought tonight,
Oh we don’t care
About the meanings we ignite,
So move along to the next room,
Now you’re just another actress I don’t recognize,

And you make my heart shrink,
Love, you make my heart shrink,

And we’re not like a piece of art,
And I don’t want to miss you anymore
No, I don’t want to read your mind,
My God…

Because you make my heart shrink,
Yes, you make my heart shrink,

Let us die,
Because we look up when we should’ve drowned,
And I lost the pain, figured I’d be fine
But soon I realized it just didn’t mean to be found,


But today, my heart shrinks…

sábado, 20 de setembro de 2014

Amor Barulhento by The Un{told}

Hoje eu sei, hoje eu cuido
do passado, do presente,
eminente a todo o ruído,
procuro um futuro reluzente.

Encurralado e magoado,
me vejo confrontado,
qual o reflexo de um espelho estilhaçado?

A figura esta, está distorcida,
inerte e suja, despida ...
por questões, corrompida ...

É neste quadro bem delimitado,
não nas cores ou tons abatidos
mas nos pormenores esquecidos.

São nas pequenas pedrinhas,
nas que preenchem qualquer riacho,
que ofuscado e preso me acho.

Como que amarrado,
como que questionado,
se o futuro é nos dado,
ou algo pelo qual tem de ser lutado?

A incerteza é uma constante,
uma amalgama de situações,
que perturba os nossos corações.

Numa demanda por respostas,
sem saber por onde começar,
começo por em mim procurar
que questões colocar.

Ao me debruçar procuro
no sangue derramado
o rasto, as sobras do estilhaço …

Se foi da certeza e convicção,
que resultou esta aflição?

Se foi o pragmatismo
que me colocou neste abismo?

Quando ao recusar ver,
ceder, acabei por a perder ...

Sem eu próprio disso me aperceber …

Ou se antes ...
Ou se antes, uma realidade objectiva
como que irrealista, um destino masoquista?

Após todos os momentos em que a via rir.
Mesmo após todo o sofrimento e dor
eu sabia, que mais alto nos fazíamos ouvir
que qualquer feitiço de amor.

Apesar de tudo, jazes presente,
recordada, resguarda, por mim amada.
Em memória, todas as caricias:
De quando ainda me vias …
De quando ainda me sentias …´

Assim grito: que se lixe o pragmatismo …
Que se lixe o espelho, pintemos este de vermelho.
Arremessado, todo o reflexo que levou o romantismo.
Pois isto eu sei: este não é o fim com que me assemelho.


quarta-feira, 25 de junho de 2014

Refúgio by Scentless

Imagina-me cego, rumo por acidente,
Caminho sem saber o que me espera lá à frente,
Vago dom de adivinhação, sem esperança de estar lá e estou...

Se o teu medo é deserto, amor é água e pedra que bebes à espera,
Eu não sofro para o resto do mundo,
Mas meu amor, nem por um segundo eu deixei de sofrer,

Os teus olhos sem cor
Já não me deixam morrer.

Se não me deixares num frasco à porta,
Eu preciso de alguém para uma morte a sós,
Nós somos quem amamos e o muro está farto desta questão,

Porque o teu rosto está perto, não me peças um só traço sem que eu te vá rasgar,
Um abraço é um sufoco junto,
Que sem orgulho, é dor e eu não a provo para saber,

Sem ritmo, dançamos,
Neste tom só teu,

Refúgio vão nestas páginas amarradas,
De histórias inventadas por quem quer ser quem não sou,
E as letras falam por defeito
Em códigos a preto que não ajeito por ninguém,

Essa vida pobre a dois,

Já só me deixa viver.  

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Incandescência by The Un{told}

Contudo eu sei que ele amou, uma vida cheia de alegria, rodeado, em nós acreditou.
Privado e roubado, parecer manchado, de um passeio imaculado.
Contudo eu sei, contudo eu sei, que sozinho não caminharei
de mãos dadas, no verde estrelado, à sombra do que me é mais chegado.

Num ontem resguardado, aprecio o chilrear que hoje jaz quebrado.
O doce paladar da aragem, do conforto e do frio transtorno. 
Aguardarei, no soalho conhecedor do tempo, abastado de sol, chuva ou vento
de memória ao peito, com um sorriso sem jeito, feliz te recordarei como sempre te amei.

Figuro então hoje num quadro inacabado, não só, mas acompanhado.
Recordo-te bem, recordo-te mal, recordo-te sempre amado.
Por tudo e por nada, pelo todo que foste e és, obrigado.

Pois sou filho sou filha, sou primo sou prima, sou tio sou tia, sou alguém que para ti sorria, como todos para alguém, para mim tu és família.

Em memória de um grande senhor e amigo, 
toda a força que esteja contigo e com os teus.
Jorge Gião 
1966~2014

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Carta à Matriarca by the {Un}told

Já faz tempo meu amor …
Questiono-me se sentes a minha falta, a falta das minhas palavras, do meu sabor amargo, do meu corpo resguardado, tímido e inibido, perante o teu esplendor, o teu corpo alado.
Como ao meu lado te costumavas deitar, como os meus lábios costumavas beijar naquele rude despertar. Um traço de sangue transformava-se num tracejado que percorrias, ferozmente me agarravas, o meu corpo tomavas e me olhavas, e cedente estremecias, cedente sorrias.
 As tuas mãos frias no meu peito, quando sobre mim éramos um. Sucessões de movimentos, desenvergonhados em sangue e em lágrimas ficávamos banhados.
Marcas deixavas, como migalhas para aquele espaço que era só nosso, para que nunca me perdesse, para que nunca esquecesse as palavras que me ensinaste e o sentimento que me mostraste. Não me esqueci, como podia …

“Uma tela pintada, um desenho se apresenta,
contornos carregados por lápis afiados,
vermelho é a cor que se evidencia,
medo, medo é o sentimento, a dádiva oferecida.
Como que num espelho, reflectido
Interpretado por um tumulto, encapuçado
Me vejo inerte, um sem expressão erguido
Atrás de mim, na altura, um vulto mascarado
Hoje, um sorriso, não confuso, decidido

Um sem expressão de nome sombra,
outrora era o que via,
nos degraus frios encolhido tremia,
enquanto que o chão estremecia,
cada vez mais, confuso me perdia.

À Janela via o tempo passar,
sem nada fazer, me deixava levar …
Meu maior erro, o medo e a dor culpar
em vez de estes de braços abertos abraçar.”


“Quem não sucumbe às mágoas da vida fica para sempre com esta em divida” palavras que proferias, como que uma profecia, não eram mais que verdades reflectidas na cortina esbatida, lembras-te?
“A maior falácia é julgar poder viver sem sofrer, dar sem receber.
Como podemos se não desejar …
Como podemos se não respeitar …
Como podemos se não admirar …

… aquele que força o sangue a jorrar,
que aperta no peito toda a dor e sofrimento,
em que se banha e encontra, todo o contentamento.

… a clareza que ofusca, a clareza que se procura
está  na alma, deslumbrante e inerte, vestida de vermelho.
De saltos, austera e bela, pelas pernas, cetim até ao joelho,
é a minha amada e não só, é a inveja de qualquer espelho.

Pintam-te de vermelho como me pintam de branco,
a recusa e a repulsa não me é indiferente,
Espelho estilhaçado, parecer quebrado
pego no pincel que partilho, este não tem odor, desprovido de gatilho
num gesto só, sucinto e decidido, rasgo o tecido
o branco não é transparente, como que uma nascente
deste  jaz uma nova corrente.

Imperativo é deixar fluir, correr e nascer. Dar ao mundo a beber, dar ao mundo a aprender, uma oportunidade de cair, sofrer e morrer, para que possamos um dia sim dizer que sabemos o que é viver.”

Bem sabes como gosto de pregar, às paredes que me ouvem. Na retina ver esbatida, tudo o que tenho para dar seja mágoa, dor ou pesar.

Gosto de pensar que estás orgulhosa de mim …
Gosto de pensar que as minhas palavras são lidas e as minhas intenções percebidas …
Gosto de pensar que na tua ausência não estou sozinho, que na tua ausência encontrei o meu caminho …


Hoje não sou uma criança, hoje crescido, das profundezas erguido, deparo-me à tua procura, mais uma vez, para te dizer que encontrei esperança, para te dizer que a tempestade passou e a bonança voltou.
Lembras-te destas palavras? Naquele espaço só nosso, ao som da melodia predilecta? Como as paredes pintaste e ao meu coração berraste, só para no papel poder esboçar um bocado de mim, o caminho ao destino que ele percorre, o sangue que nas nossas veias escorre…
Como tudo era tão mais fácil nessa altura …

“Fazeis de mim o que puderes,
de joelhos me entrego, de joelhos me confesso,
que a razão porque nasci é a razão porque me perdi,
para todos os receios, abrigo procuro naqueles que são os seus seios,
de lágrimas nos olhos, um alguém a quem em encostar, um alguém com quem partilhar,
alguém a quem a mão dar e pelas linhas passear, no fim de contas, alguém a quem amar.”

Hoje caminho em cetim de pregos, calejado e firme aprecio a paisagem, não é para o destino que olho mas sim para a viagem. Assim me despeço assim me entrego, até à próxima jornada, até à próxima caminhada, meu amor.


Do teu insólito pecador.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Olhos de Vidro by Scentless


O que sei, de outro tempo,
Um corte na pele e um silêncio indeciso,
Por lutar, um fio de luz,
Que tão depressa aparece como se reduz...
Trouxe-me atrás, já profundo,
Adormecido em veias de céu,
Por entre o mar, atravessado entre placas de ouro
E a gostar, parece uma mão infinita,
Mas por entre os teus olhos já só estou eu;

Se fosse sempre um só olhar,
Por entre um sopro, a voz de alguém,
Murmura um leve respirar,
Mas eu não nasço por ninguém.

Logo após um sentimento, tão ingénuo quanto perfeito
E a voz, que pára por um momento,
Tão cedo engasga como é levada pelo vento...
Vivo atrás desse tempo,
Em que chama vem de dentro e o fumo chega ao infinito,
E os olhos já só veêm por amar,
Mas que há para ver se não se ouve chamar...

Se fosse sempre um só olhar,
Por entre um sopro, a voz de alguém,
Murmura um leve respirar,
Mas eu não nasço por ninguém.

Flutua e dorme por um instante,
Fica apenas nosso esse curto segundo
E a sonhar, o mundo é distante,
E a sombra de nada está já ao nosso alcance;
Num toque leve e inseguro,
Meus olhos vidro e minha alma papel,
Dançando breve e rasgando-me em curvas,
Corpo de letras e poesia de pele...

sábado, 18 de agosto de 2012

Fim by Scentless

Sopra o ar e vive para sempre!

Nada do que dizes está bem,
Teu corpo avarento já não me dá luz,
Perde esse dom de sentir dor
Como um ruído sem som que o teu ser produz,
Não me peças mais do que eu quero ser,
Por entre as almas há espaço para mim,
À mágoa invertida chama-se prazer,
Parto do chão...

E chego ao fim!

Ama o que fazes, animal que és,
Calor impreciso de mãos a arder.
Suave o tecido que a chama tinge,
Da cor desse sopro, já gasto de ouvir,
Dança e mente que não te sentes bem,
Inveja é feia, mas ciúme não é,
Neste amor de neve onde faz frio,
Para gostar...

Sinto-me vazio.

Esses olhos já mentem por mim,
Que saudades de estares amarrada,
E ser livre nessa ilusão errada
E seres lua,
Por entre copos vazios de nada,
Esses romances de capa estragada,
Sabes a sal e a beijos amargos,
Imagina o preço de voar!

E a gostar...

Chega-se ao fim.

sábado, 11 de agosto de 2012

Monstro de Solidão by Scentless

Eu vi nascer
Algo melhor, algo que se perdeu em ti,
Em formas imprecisas
E eu gostava tanto do meu canto de escuridão,
Além de força,
Eu vi-me nascer...

Monstro de solidão...
Em meu corpo de luz...
Monstro de solidão...
Em meu corpo...

Num quarto frio
Entre amor que se faz,
Já perdi a conta
Aos sítios em chamas para me abrigar,
E entre olhos vendidos
Eu juro que eu serei só mais um...

Monstro de solidão...
Em meu corpo de luz...
Monstro de solidão...
Em meu corpo...

Ainda vou ser
Esta loucura consumida a partir de dentro,
Olhando para trás, com esperança,
Já devia saber que não se faz...
Foi um dia teu,
Por entre acasos de papel e raiva,
Agora quero dormir,
Mas já sou inimigo da escuridão,

Monstro de solidão...
Em meu corpo de luz...
Monstro de solidão...
Em meu corpo...

Se esquecer é matar
E matar é perder,
Então perder é amar,
Porque amar é morrer...

sexta-feira, 22 de junho de 2012

O Porquê de ser eu a Escrever e tu a Ler ... by The {Un}told


Questionado, pela demora da faca no alado, não sabes tu, que este chora
Vermelho que transborda, ferrugem e nicotina ...
Vícios e delírios, traduzem lamurias de ingratas luxurias ...
Intenção propositada em traduzir, consigo tal na tua retina reflectir?

Como a vida é cheia de verdades e eu não sou uma ...
Como não me acho quando procurado ...
Como me encontro encadeado, jazo preenchido de vazio quando confrontado pelo ambíguo.
Corpo de expectativas, definido mais como um de esperança do que um de Direito.
Mas quando nesta cortina esbatida, quando recolhida, abatido, mas satisfeito?

Não ...
A retina confessa, em sussurro o que o cérebro processa, em tumulto.
Como te entretenho ...
Como te satisfaço ...
Como te dou um propósito de ser ...
... tu a ler e eu a escrever.

Minhas lamurias e eternas duvidas
Satisfazem curiosidades mesquinhas
Teu contentamento pelas minhas injurias
É um preço medonho e distorcido
Mas em fúria continuo a viver e chego a ser ...
enquanto tu a rir ... acabas por na penúria morrer.

Pois a vida é bela enquanto esta queima.
Como um vela incandescente que ilumina e refracta como uma nascente ...
Mas quando privada a corrente não flui, não jaz num rio e não evolui.
Sedenta acaba por morrer ...
... paisagem inexistente de resplandecer.
Vida imaculada que não chega a florescer.
Mais uma vela que se apaga por oxigénio não beber.

Palavras de simples rigor
Possuem teor de honestidade
Não sou mais que tu nem menos
Sou vida e um dia a morte ...
Mas hoje a posição é definida.
Ser aquilo que um dia posso nunca chegar a ser.
Humano em rigor, a sofrer para poder crescer.

Ao contrário de muitos que deambula.
Pregadores de mensagens se intitulam.
De muitas formas e feitios todos prometem.
Paz e perdão de língua afiada.
Tão fácil como absolvem
para uma justiça, uma fachada.

Palavras de paz vociferam
Frases construídas letra a letra
Muito dizem e a pressupostos remetem.
Como me vêem e me conhecem ...
Como me pintam e preenchem ...
Como me oferecem um sentido, uma razão de ser ...
... eles a escrever e eu a ler.

Sendo honesto mas não ingénuo
Agradeço a intenção mas não me queixo por atenção.
Recorro a palavras por gosto.
Percorro estas com intenção.
Imaculada motivação de um dia a alguém chegar ...
Como um beijo, seja doce ou amargo ...
... seco ou molhado.
Seja o toque frio ou quente ...
Não interessa.
Tudo se contorna menos o que nos bate de frente.

Não são promessas que me constroem
Nem são as palavras que me definem
É do sofrimento, das duvidas, as eternas lamurias ...
que me ergo para viver e de pulmões cheios responder:
"O hoje se reescreve amanha
as experiências definem o caminho
realçam o tracejado para o indefinido, o mais belo e incompreendido ...
... o próprio desconhecido.

Portanto eu vivo ...
Portanto eu sofro ...
Portanto eu aprendo e me questiono
se não vivemos todos num mundo sem dono?

Portanto eu escrevo e continuo a escrever.
Tenho expectativas, sou profeta a meu ver ...
Que vós vejam com olhos de ver, o que sou e o que tenho para oferecer.
Para que no final chorem, ao saber
Que não só se cresce a ler
como lá fora, a sofrer, têm a melhor forma de aprender.



segunda-feira, 9 de abril de 2012

As Nothing Ages by Scentless

When we destroyed
What time couldn’t built,
Erasing the pages
That life couldn’t fill,
Below the distraction of shade,
Followed things meant to drown,
And the voice that was whispered
Came screaming through now,

Like the silence of a smile,
That time itself devours,
What we gave up in pain,
We now claim back as ours,
Constantly shifting back to shape
In a rhythmic dance exhaling fire,
Coming from a beating drum
Inside a chest we called body…

The shrine of one’s thoughts
In a form of a shell,
Re-ignite what was lost,
As children we disguise ourselves,
Foretold in a future so distant, yet close,
Coming farther than this, for no reason we approached,
And it began as a kiss, as a memory, as a rose,
Inhaling the senses the water once showed,

From this insignificant and ignorant self,
Efforts and deserts in self-indulged pain,
Realizing the brightness and the light going dim,
But the magic itself is always present, yet thin…

For those who have eyes with crystal inside
It can come as more clear than the day turning night,
But there are darkened visions and mirrors besides
What we see, they pretend, condescendingly try…

Furthermore than to see, it’s to come close to the scent,
And to feel once again the drum beating inside the chest,
You can lie and be weak and then try to repent,
But when it’s real you can see that nothing tastes best…

quarta-feira, 14 de março de 2012

Nota Editorial by The Un(told)

Há dois anos surgiu uma sugestão, a criação de um blogue com o simples e modesto objectivo de um espaço dedicado ao alívio e há partilha do que nós temos de mais verdadeiro para partilhar.

Por dois anos este blogue tem sido alvo de todo o tipo de tumultos, desabafos, crises existenciais, depravações (Obrigado!) e reflexões pessoais por parte dos seus autores entre outras formas de manifestação. Apesar de muitas vezes as obras aqui expostas carregarem uma grande cotação negativa e assentes em pilares de angústia, magoa, tristeza e todas aquelas comichões chatas que nunca parecem se dar por terminadas é com grande orgulho e carinho que posso dizer que temos recebido elogios e conseguido chegar a uma plateia de espectadores dedicados e atentos que se tem mantendo “fieis”, chamando há atenção que como o Scentless mencionou na sua Nota Editorial esta sugestão de blogue está quase a ter 2000 visitantes, se é muito ou pouco, fica a vosso critério, mas que é bem mais do que esperávamos não se discute.

Há um ano, eu e o Scentless publicamos uma obra em colaboração que como ele disse nos desafiou a níveis nunca antes testados e levou-nos ao limite, tal obra foi a “Tela de Pintor”. Uma colaboração que tem muito que se diga. Para a realização dessa obra foi definida uma estrutura de texto, tínhamos (não muito detalhado) um tema, um assunto de que queríamos partir mas tinha de haver regras, evidentemente. Tal conceptualização não era para mim algo novo mas antes pouco trabalhado, quando escrevo sou na maioria das vezes levado pelo instinto e picado pelo carácter emotivo, como melhor exemplo dei-vos a obra “Violado/Retracto” que retractava isso mesmo. Obra que fala nada mais, nada menos do que a “Inspiração” a minha sorte e desgosto. Agora têm a resposta ao porquê de não publicar textos com tanta frequência quanto gostava, porque não consigo.

Apesar das dificuldades e do tempo que na altura tínhamos para a trabalhar e a publicar, a obra “fluiu” com uma facilidade abismal. Como duas peças do mesmo puzzle não ouve margem para possível conflito, ou duvida. Quase místico, a obra fez-se sem darmos por ela.

Este ano que passou foi de facto algo bastante curioso, deu-se uma transição muito brusca, acontecimentos que ao relembrar hoje até há visão ofusca. Mas com o novo, o desconhecido, vem conhecimento, experiência, sabedoria. Apesar do numero de publicações ter sido muito mais reduzido este ano é com muito orgulho que leio e relembro qualquer obra e momento aqui presente, com uma historia por detrás, uma razão.

Mas os parabéns este ano estão também para o Scentless, que ao longo deste ano contribuiu a um ritmo activo e extremamente produtivo, mantendo o equilíbrio perfeito de quantidade qualidade. Produzindo obras que em termos de qualidade estão no topo deste blogue, e tal facto, não se discute.

Evidencio e recomendo obras como “Indifferent” em Inglês, “A despedida” em Português e “Anti-gravity explanation” (principalmente) para evidenciar opinião.

Hoje olho para estes dois anos e é impossível não notar no crescimento que berra neste blogue obra atrás de obra, um crescimento pessoal e de escrita. Um crescimento que para o mal e para o pior partilha-mos com vocês ao longo destes 2 anos e que esperamos que tenham desfrutado.

Como uma odisseia, existe um aspecto essencial que predomina sobre todos os outros, a própria viagem, quer seja mais ou menos produtiva é a companhia que no final mais interessa. Felizmente, melhor companhia não podia ter que a do meu colega Scentless, que me ajudou a salientar o interesse pela escrita, a amadurecer e a enriquecer a mesma tempos antes de este blogue ver a luz do dia.

Despeço-me deixando assim os meus parabéns ao Reflexos Moribundos, e peço-vos que continuem a desfrutar da viagem.
Obrigado.

Nota Editorial by Scentless

Passou mais um ano! A contar já vão dois e este blog continua em pé, saudável e ainda a proporcionar momentos de puro alívio para ambos os autores atormentados que nele participam.

Faz hoje um ano que eu e o Untold nos propusemos a fazer algo que nos desafiou até ao limite, mas que deu um resultado frutífero, elogiado por diversos fãs do nosso blog; esse algo foi a colaboração "Tela de Pintor", um texto conjunto com uma escala nunca antes vista em nós e que foi o primeiro marco de um ano importantíssimo na nossa escrita.

Digo isto porque foi um ano ao longo de qual se revelou sem dúvida um grande amadurecimento na escrita (pelo menos no meu caso) em ambos os idiomas e em que foram produzidos alguns dos meus textos mais elaborados e que terão sempre um lugar especial na minha galeria de favoritos, como "Wings", "Indifferent", "Mr. Sunshine Commits Suicide" ou "Flor de Papel", apenas para referir alguns.

E embora sempre mais discreto (enquanto eu produzo textos a um ritmo industrial, ele é mais pausado, mas também é cada contribuição, cada obra-prima), o Untold também amadureceu a sua escrita ao expandir os seus horizontes em termos conceptuais, mas sobre isto ele discutirá na sua própria nota.

Reconheço também que nesta recta final o blog perdeu algum fôlego (prova disso são os escassos 3 posts em tantos meses), quer por falta de tempo, quer por falta de inspiração (embora tal nos custe, ainda não conseguimos mandar nela...), mas tal não significa que ele está a morrer! Prova disso é que espero em breve publicar um post em que tenho andado a trabalhar vai algum tempo e que se afigura diferente do normal (esperem por novidades, valerá a pena!) e, apesar de este ano infelizmente não conseguirmos fazer nenhuma colaboração, aposto que o Untold também terá alguns trunfos na manga para o novo ano.

Por fim, quero apenas agradecer aos fãs do blog (quer os velhos, que estão connosco desde o início [sim, estou a olhar para ti, Marta], quer aos que nos juntaram ao longo deste ano em que blog esteve em franca expansão) e reconhecer vitalidade a este blog que se aproxima a passos largos dos 2000 visitantes e que já publicou 57 textos de grande qualidade ao longo de dois anos recheados de boas memórias!

Sem me alongar mais, muitos parabéns, Reflexos Moribundos e vemo-nos para o ano!

P.S.: Que raio de co-autor seria eu se não agradecesse ao meu colaborador, Untold, por ter tornado isto possível e por ainda hoje ser um acérrimo crítico do meu trabalho, se gostam de algum dos meus posts, muito se deve a ele!

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Wings by Scentless

What are all these tales we’re supposed to romanticize?
Through all that indifference and hatred,
Soon the length of our armor will make us drown
Can’t you see we can’t support our own weight?
Ripping the circle apart and sewing it back on,
It’s not inhuman, is just impossible…
No more reason to stay in the fire long enough
To get out is to be free…

Complain about the shadows who were faster than us
Now, but back then you gave them wings to fly,
Both alone in the dark communicating by whispers
And at the nineteenth time all I still hear is “Why…”
Were we the heroes we were supposed to incarnate?
Or were we a pale reflection of what everyone sees…
Erasing all the butterflies and roses in one’s thoughts,
Freedom became an answer, but it wasn’t supposed to be…

Are we lost in what never will make sense again?
Close enough to whisper but never again close to kiss,
This was never as much as mine as it was pretending to be,
So long, the wings are on fire even in our dreams…

One step, dripping blood, the door opens,
Step after step, one leaves the room in the dark,
Soon enough, the door should be closed,
The blood is not a footstep, is a battle scar…

Rope forced, skin hurt in this invisible trial,
Long loved, soon burnt, for nothing at all,
Impossible to see, unworthy just to say “it’s enough”,
More than just to hate, is time again to fade in touch…

Bled enough to die, drank enough to cry, but still lived once,
Talked enough to lie, failed enough to try, and still does…

Freedom may be not a wish, but it’s a reason to fly away…
Can’t you see that we’re alright and that it’s time to leave it in the shade…

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Anti-gravity explanation by Scentless

No more accidental believes
In what’s to come, in what’s near,
Complaining about everything,
Invisible wounds upon the skin
Threatening isolation
Moving towards projectile incubus
And now I am a warrior
And now I am a prisoner!

From the top of what we see,
There’s so much in between,
From eczema volcanoes to condescend confessions,
I hope we seize to be delayed…
From the tundra in my dreams
We cast our hearts to breathe
And find ourselves so reluctant to take them back with us,
We all philosophy in pain…

Looking in a shelf,
Find that mirror that takes me away…
Pass those silhouettes,
Lost in a past so astray…
Came from all this love…

No remorse from childhood,
Chose to become a man
In few years the weakened flesh
Chose to devour itself instead,
Remarkable observations
Made in deathbeds, candle vigils,
They never mean anything but we sell them
Because life is told by an idiot!

Let the innocent rest in peace
Never chose what to believe,
Symptomatic disorder of bulletproof anger,
They always drown themselves in rain…
Residual photograph from the ink of memories,
Despite those addresses are colored in paper…

We all asphyxiate from the smell
Of bleach mixed with residual semen,
There’s more in this cadaver than he prefers to tell…
Consumed in agreement from all parts in whispers,
We crossed from the generation of heathens
And called ourselves what we should say in them…

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Questão de resposta Assolação, by The Un{told}

Beleza, suavidade, conflito agridoce, porque que me persegues?
Com esses olhos, rosa carmim, que me enlouqueces?
Melodia como de encantar, em cada homem caminhar, um traço rosado a desbotar ...
Como deambulo em tua direcção, como me ofuscas o coração?
Questões te ponho,porque fujo à razão?
Num misto de sons, sou cativo, misto de questões nestas em que vivo ...
Como me recebes, numa mão uma caricia noutra uma arrelia?
Encarapuçada és uma deusa rebaixada ou uma farsa disfarçada?
A tua razão, tua motivação faço questão, uma resposta ao meu coração.
Para que não sofra de todo o mal que é, o desejo, a ânsia, a devoção, excitação de emoção.
Um jogo aguçado, por palavras usado, a sussurros se fazem uso, feitiços de amor e terror.
Feitiços em que me jogo, sem pensar no que aposto.
Dou por mim cheio de vazio, para teu esplendor meu sacrifício.




Um andar de cortesia, de uma beleza que fasquia, uma figura, uma razia.
Devastas traços quebras laços, em território hostil és destruição, assolação.
Como numa batalha, te lanças, erguida, diante de mim te ergues nua e desinibida.
De joelhos suaves, tímidas e singelas que pernas belas.
Equilibrada te mexes, como quem sede à sedução, numa dança suave mexe a anca como quem clama atenção.
Ohh tu, que me fizeste? Que me enfeitiçar-te, a mim sol e tu lua, porque me amaldiçoas-te?
A viver no horizonte vidrado, a questionar a distancia desse corpo alado.
Não perdoo a visão,a vela estendida indefesa, provocadora, sedutora.
Enquanto os seus peitos expiram e inspiram e os seus seios cativam numa canção, o belo som da sua respiração.
Deitada, repousada, olhos carentes, corpo sedente
Desejada visão, anseia pelo toque, pela emoção, que de joelhos clame perdão.
Pelo rastilho que levou a esta tensão o meu sangue em mim, dentro de mim.
Numa corrida de euforia, pelo teu toque, tua doce infâmia.




Na calçada ela jaz encarapuçada, em jogo aberto, seu corpo sua arma, seu sorriso seu escudo preciso.
És criatura, fera magoada que viras-te as costas à ternura? De garras aguçadas pelas paginas de vida rasgadas.
Contam uma historia selvagem de actos molhados, lágrimas de amargura?
Memórias de pilhagem, abusos e furtos, uma colheita de frutos hediondos.
Ohh tu, porque tens de te fechar, não é o teu corpo que quero explorar mas o teu coração amar.
Pois sou humano, embalagem defeituosa, como tal propicia há dor de te ver silenciosa.
Para ti sou mais um tolo, tolo por te amar, por te tentar mudar e por a ti me afeiçoar.
Pela dor e tristeza, posso ser só mais um, mas como este não há nenhum.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Indifferent by Scentless

There’s a letter in the pages
That slowly burns my tongue,
And there’s a man who’s eating candles
So all the light will be gone…
And he catches his own shadow
So that he won’t be alone,
His voice is calling my attention,
But there’s only silence by the phone…

Spiral drifting into descent…
As I stare, indifferent…

And so I breathe into the fire
So that my will may grow strong!
And there’s a man in the bottom
Too down to sing along…
Lured out by the whispers,
Once screams that grew so dim,
Throw out all the pages
To get sort out by the wind…

Locked in prison, inner sin…
As I stare, indifferent…

Touch the envelope,
And bend it by your will,
Eyes became so distant
But opened still…
There’s a man leaving footsteps
So he may never disappear,
I’ve always wanted to get rescued
Far from here…

How much patience does it take?
As I stare, indifferent…

No one’s ever certain
Whose life will get saved?
I couldn’t recognize both men,
One’s just a letter in a page…

But the other died happy, in his way…
Because we all die for someone, someday…

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Violado/Retrato by The Un{told}

Ouvidos surdos, sentimentos mudos, aqui, no meu leito me entrego quando violado sou acordado, não pestanejo, sem hesitar refuto, sem racionalizar desfruto, profanado ergo um tumulto. Aqui, saciam a sua cede, tento afasta-los mas não me sinto a nega-los, não, muito pelo contrário anseio pelos seus regalos. Depois de apedrejado, neste vasto recinto vislumbro a vida, quando mais uma vez usado, alguém quer este corpo calejado.

Quando o toque se faz presente, uma luz indesejada me traz conformidade, não existe razão, o raciocínio não pacifica o coração, é quando na escuridão, que satisfaço a minha excitação. Quando contrariado, acorrentado, sou estropeado.

É quando abraço o indesejado, nesses momentos pouco achados, que me confronto com uma natureza que me faz explodir. Neste recinto frio fechado, sou explorado, acorrentado ao enferrujado num misto de sangue sou vendado. Ouço as palavras que me fazem morder um rugido abafado de trapos, com as minhas mãos te alcançar para te em mim sufocar, com estes dedos te tocar, sentir, torcer e espremer. Arrancar de ti as palavras de prazer, pelas minhas unhas nas tuas linhas, trajectos da história em que me fazes tremer, em que contrariado sou dominado, bem lá no fundo um achado, sofrer para viver, sofrer para aprender, sofrer para crescer.

Cair é fácil, quando todo o mundo chora torna-se fácil escorregar, quando todo o mundo questiona torna-se fácil sonhar, mas quando todo o mundo cai em quem nos podemos apoiar para nos levantar?

Foi no fosso que te conheci, foi no fosso que em ti me embebi e me entreguei, foi contigo que senti quando cai, hoje contam-se quedas atrás de quedas e ainda não te esqueci.

Pois na memória não me faltas, das vezes que me tomaste e usas-te, quando por palavras expressaste-te, quando ao anoitecer entras-te e no amanhecer abalas-te, lúcido e desperto com um escrito me deixas-te.

Sempre me perguntei, porque é que não ficas-te ao meu lado, aconchegados e entrelaçados como um. No entanto sempre soube a resposta, não és bicho para domar nem humano para educar, não és pensamento para compreender nem razão para entender, és eu e eu tu quando perdido me acho.

Por isso quando me tocas, é a minha mão que ganha protagonismo, quando me beijas, são os meus lábios molhados que sinto neste eufemismo, perdido por um corpo que já me foi mais íntimo, quando me suspiravas ao ouvido, proclamavas carícias e delícias. No final, sem folgo debruçado lambias os danos colaterais de um organismo carente e cedente.

Patética esta existência de um vulto moribundo que vive escondido atrás da sua arma erguida, incapaz de agir e ter a sua própria investida, penoso como agarrado a ti está para escrever a própria sina.


Dos areais mudamos de cenário
Encontramo-nos como num industrializado retrato
Tela larga esboça pelas cores edifícios de um tanto extraordinário

No recinto envolvido dos tantos edifícios
Ela jaz somente, um corpo ao detalhado pormenor
Aguardava encharcada os frutos dos seus sacrifícios

Ela que quis, hesitou, e lutou em vão.
Caiu esmagada, de joelhos esfolados, o seu calor no frio do chão.
Quando ergueu as suas armas, excitada, ergueu a sua rebelião.

Numa envolvida tensão
Procurava por um pouco de atenção
Resfriar a tesão num poço de escuridão

Os pulmões preenchidos, os peitos investidos
Remetiam como miras singelas e descobertas, os seus adornos enfurecidos
Inocentes, queriam, puxar-te para dentro dos trapos desinibidos

A pensamentos forçados voluntários ausentaste-te
Há lua, de cabelos despenteados, olhos encharcados
O teu nome gritou, tu que não a violas-te como desejas-te.

Questões colocou, no momento em que fraquejou
Quando, por ti, acorrentada foi deixada:
“Porquê não me violou?”

Já derramado, o primeiro sangue outro hora
Conhecia a rotina o vicio, a colora
Com serenidade respondeu calado, "Não chegou a tua hora."

“Um dia, no manto da noite ou no leito do dia
Vou querer a estes vales voltar
Como um fervor desamparado
Sem demais em ti vou entrar
Nas paredes sucumbir o doce e o amargo
Como num misto de odores em que nos vamos banhar
Calada e imobilizada, aberta mas nenhum espaço jaz
Sequências de luxúrias sem espaço para o próprio ar
Vais recordar e as cores com que te pinto guardar
Que neste retrato predomina o amargo a dor e o pesar.”