Sem tirar do perigo original
Toda a sua magia, ofuscando
A mágoa insensível derivada do sentimental,
Esferas infinitas giram-me na mão,
Rodando pelo infinito, aladas
Como gelo que arde sem qualquer sensação…
É nisto que penso que devia ter pensado
Menos em ti, menos em mim e mais no vazio,
Saudade terminada pelo corpo esfaimado
Cria atritos sem sentido, onde o que resta é so o frio…
Persiste na mente entendida a ver
Com um só olho que por vezes é demasiado,
Contendo fogo em mim mas sem querer arder…
Só um segundo demais para lembrar
Que um dia houve chama que não teve medo de si
E na memória do instante pode ter chegado a brilhar…
São só histórias que me contam para adormecer
Sem ter sonhos mudos em que vivos nos imagino,
Para sempre enlaçados, mas sem perceber
Qual o mistério que nos une sem as cordas de um destino?
Saudade, inexistente mas ao mesmo tempo brilhante,
Para sempre sentida só por não te ver,
Ou por te ver como uma fracção de um só instante…
Observo pelas rachas do chão molhado
Um só adeus, nunca mais consentido
Até que a sombra o torna o final agora memorizado…
E para sempre na estrela guia,
Não tão claro como à luz do dia,
Mas sim desfeito numa tela desfocada do horizonte,
Viajantes do espaço eleitos,
Pela vontade de ficar perfeitos,
Sem interessar perturbações, na minha bala jaz a fonte…
Descansando à sombra da lua, miragem…
Mas qual é a tua?
Origem da passagem…
terça-feira, 21 de dezembro de 2010
domingo, 19 de dezembro de 2010
Eu, Romancista, acordo by The Un{told}
Eu acordo, nas minhas mãos repouso, amolecido e perdido, vejo estas, mais uma vez de pele tecido, e ergo-me sem sentido. Vistos os trapos e os mantos da vida, que carrego como um fardo, para que a minha vida não seja mais do que um dado aproveitado e abusado.
Vejo-me encandeado, todas as manhas assombrado, quando cego deambulo, por este roubado passado. Não posso deixar de sentir uma estranha ligação a esta sensação que me ofusca no peito o coração, será a Inevitabilidade ou a simples verdade do que perdura nesta realidade?
Nestes areais minha pessoa caminhar
Dos prazeres abençoado desfrutar
Estes sobre a minha visão carregar
Os testemunhos daqueles que de mim tirar
Um ouvido para os escutar
E alguém para os ajudar
Sem ninguém, com quem o meu cargo partilhar, e um ouvido para me escutar …
Ou será, estes prazeres questionar, por ver uma luz que possa alcançar, quando tudo se submete a milhas e tudo é distante e sublime.
Depois de olhos cheios, de olhos cientes outrora dormentes, caminho sem cessar nestes areais por explorar, de uma beleza simples em que somente nestas podemo-nos contentar por saber que ainda temos muito que observar e desfrutar, que a vida não desperta do nada, mas que se aproveitada e observada, é nos revelada.
E no peito, neste coração, se enche de alegria, ao ver que ainda tenho muitos caminhos por tecer, que ainda os pólos tenho de conhecer, e agradecer. Os descobrimentos de feitos marcam as pegadas dos eleitos, daqueles sublimes que a vida venceram, que ao caminhar sem duvidar das suas crenças teceram o seu destino, o seu caminho. No final, alcançaram algo grandioso, e com alguém partilharam o seu prestígio glorioso, ouvidos os seus feitos por ouvidos curiosos foram.
Mas depois, é no peito, neste coração, que se enche de tristezas e melancolias, ao ver que muitos caminhos tenho por tecer e as pegadas junto as minhas já começam a desaparecer, com o tempo, jamais as conseguir ver, quanto menos ter, e é neste saber que magoa o coração neste peito. Ninguém para ouvir os meus feitos, ninguém para sublinhar o meu nome junto aos eleitos, ninguém com quem partilhar um simples olhar, ninguém com quem sonhar …
"Que junto a si somente tem os pólos que se abstêm e os seus areais em que bate sua sombra, a que a esta é um desconhecido. Ao seu destino acorrentado como uma testemunha que evidencia, que torna menos leves a escolha por que se rege."
Acompanhado pela sombra, que nada esquece, mas sombra esta que desconhece, e que por isso não faz considerações, a lua e a imensa escuridão que banha o meu coração ao pernoitar nestes areais sem uma luz por que me guiar, porque nestes passeios em que nada posso observar se não o simples facto de não ter ninguém para me acompanhar, ninguém para me guiar, ninguém com quem me deitar e repousar.
Um sem face de nome solidão, faz de mim seu servo pois ao seu lado devo caminhar sem cessar, sem tempo para repousar, reger-me pela minha escravidão.
A esta realidade a minha vida se entrega, numa demanda infinita direccionada, entrego-me ao meu jeito que deambula e procura uma razão, uma maneira de os meus feitos sublinhar e alguém para os escutar, alguém que lhes dê valor, um sentido, amor.
Vejo-me encandeado, todas as manhas assombrado, quando cego deambulo, por este roubado passado. Não posso deixar de sentir uma estranha ligação a esta sensação que me ofusca no peito o coração, será a Inevitabilidade ou a simples verdade do que perdura nesta realidade?
Nestes areais minha pessoa caminhar
Dos prazeres abençoado desfrutar
Estes sobre a minha visão carregar
Os testemunhos daqueles que de mim tirar
Um ouvido para os escutar
E alguém para os ajudar
Sem ninguém, com quem o meu cargo partilhar, e um ouvido para me escutar …
Ou será, estes prazeres questionar, por ver uma luz que possa alcançar, quando tudo se submete a milhas e tudo é distante e sublime.
Depois de olhos cheios, de olhos cientes outrora dormentes, caminho sem cessar nestes areais por explorar, de uma beleza simples em que somente nestas podemo-nos contentar por saber que ainda temos muito que observar e desfrutar, que a vida não desperta do nada, mas que se aproveitada e observada, é nos revelada.
E no peito, neste coração, se enche de alegria, ao ver que ainda tenho muitos caminhos por tecer, que ainda os pólos tenho de conhecer, e agradecer. Os descobrimentos de feitos marcam as pegadas dos eleitos, daqueles sublimes que a vida venceram, que ao caminhar sem duvidar das suas crenças teceram o seu destino, o seu caminho. No final, alcançaram algo grandioso, e com alguém partilharam o seu prestígio glorioso, ouvidos os seus feitos por ouvidos curiosos foram.
Mas depois, é no peito, neste coração, que se enche de tristezas e melancolias, ao ver que muitos caminhos tenho por tecer e as pegadas junto as minhas já começam a desaparecer, com o tempo, jamais as conseguir ver, quanto menos ter, e é neste saber que magoa o coração neste peito. Ninguém para ouvir os meus feitos, ninguém para sublinhar o meu nome junto aos eleitos, ninguém com quem partilhar um simples olhar, ninguém com quem sonhar …
"Que junto a si somente tem os pólos que se abstêm e os seus areais em que bate sua sombra, a que a esta é um desconhecido. Ao seu destino acorrentado como uma testemunha que evidencia, que torna menos leves a escolha por que se rege."
Acompanhado pela sombra, que nada esquece, mas sombra esta que desconhece, e que por isso não faz considerações, a lua e a imensa escuridão que banha o meu coração ao pernoitar nestes areais sem uma luz por que me guiar, porque nestes passeios em que nada posso observar se não o simples facto de não ter ninguém para me acompanhar, ninguém para me guiar, ninguém com quem me deitar e repousar.
Um sem face de nome solidão, faz de mim seu servo pois ao seu lado devo caminhar sem cessar, sem tempo para repousar, reger-me pela minha escravidão.
A esta realidade a minha vida se entrega, numa demanda infinita direccionada, entrego-me ao meu jeito que deambula e procura uma razão, uma maneira de os meus feitos sublinhar e alguém para os escutar, alguém que lhes dê valor, um sentido, amor.
sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
Palavras que não fogem ao tempo by the Un{told}
Palavras proferidas.
Tanto abrem como fecham feridas.
Em alturas de angústia, de rebeldia ou euforia
Cuspimos sinónimos e dialectos de mentiras
Num mundo de ilusões, fantoches e fantasias
"Assim é que eu, nas tuas palavras me perdia
Assim é que eu, nas tuas palavras me embebia"
Como um sorriso, uma palavra, uma verdade
Não deviam estes padecer de vaidade
Pois o que é para ser dito é, nem que seja maldade
"Assim é que eu, nas tuas mentiras caia
Assim é que eu, das tuas mentiras vivia"
Mas as palavras não devem ser temidas
As palavras deviam ser honestas e destemidas
Realçar o amor ou sublinhar a dor
Mas nunca difamar o seu verdadeiro valor
Pois o que é, verdadeiro tem de ser
Pois vivemos neste mundo por uma razão
E mentiras só difamam, encobrem o coração
Numa linha suposta recta, com curvas, fazem nos perder
O sentido
O suposto passa a pressuposto e mesmo este
Fica contido.
Mas jogamos e apostamos
Sem pensar que tudo arriscamos
Em dialectos infiéis
Dá-mos a mascara
Ás próprias pessoas que amamos
Que mundo é este, em que custa esperar
Uma honestidade uma verdade sem pesar
A brisa da manha com gume
Momentos quentes vazios
Beijos em lábios secos
Toque frio e desamparado
Porque é que devemos nós ser forçados
A pensar se somos ou não,
Em vez de sermos simplesmente Amados?
As acções deviam falar por si, provar no coração
A razão, o sentido, a verdadeira Intenção.
Mas as palavras, fazem tudo mais fácil
Mais rápido, mas simples, mais frágil.
Pois uma vida pensada não é aproveitada
Uma vida pensada não é amada.
Tanto abrem como fecham feridas.
Em alturas de angústia, de rebeldia ou euforia
Cuspimos sinónimos e dialectos de mentiras
Num mundo de ilusões, fantoches e fantasias
"Assim é que eu, nas tuas palavras me perdia
Assim é que eu, nas tuas palavras me embebia"
Como um sorriso, uma palavra, uma verdade
Não deviam estes padecer de vaidade
Pois o que é para ser dito é, nem que seja maldade
"Assim é que eu, nas tuas mentiras caia
Assim é que eu, das tuas mentiras vivia"
Mas as palavras não devem ser temidas
As palavras deviam ser honestas e destemidas
Realçar o amor ou sublinhar a dor
Mas nunca difamar o seu verdadeiro valor
Pois o que é, verdadeiro tem de ser
Pois vivemos neste mundo por uma razão
E mentiras só difamam, encobrem o coração
Numa linha suposta recta, com curvas, fazem nos perder
O sentido
O suposto passa a pressuposto e mesmo este
Fica contido.
Mas jogamos e apostamos
Sem pensar que tudo arriscamos
Em dialectos infiéis
Dá-mos a mascara
Ás próprias pessoas que amamos
Que mundo é este, em que custa esperar
Uma honestidade uma verdade sem pesar
A brisa da manha com gume
Momentos quentes vazios
Beijos em lábios secos
Toque frio e desamparado
Porque é que devemos nós ser forçados
A pensar se somos ou não,
Em vez de sermos simplesmente Amados?
As acções deviam falar por si, provar no coração
A razão, o sentido, a verdadeira Intenção.
Mas as palavras, fazem tudo mais fácil
Mais rápido, mas simples, mais frágil.
Pois uma vida pensada não é aproveitada
Uma vida pensada não é amada.
sábado, 27 de novembro de 2010
Alma de cartão by Scentless
Olhos de
Calor vazio de quem me quer amar,
Mas no fim acaba só por olhar,
Aceita enfim toda a solidão…
Matas-me,
De cada vez que quero adormecer,
Porque para mim sonhar já é sofrer,
É sentimento sem razão…
Revolta pensada, por quem deseja ser
Facilmente enganado, nesta desculpa de viver,
Em que só queremos sentir…
Exótico,
Corto a garganta e sabe-me a cristal,
Troco as ideias, tão sentimental,
Mentira é válido pudor…
Marcado,
Qualquer que seja a tua explicação,
Fogo só arde se alma é de cartão,
Parte entre as cinzas do amor…
Animal,
Olha de dentro para o que nunca fez,
Deseja ser de novo a primeira vez,
Penetra no êxtase da dor!
Revolta pensada, por quem deseja ser
Facilmente enganado, nesta desculpa de viver,
Em que só queremos sentir…
Inocente,
Manifesto o descontentamento,
Queixoso pelo aprisionamento,
De cada dia sempre igual!
Emoção,
Sinto-lhe o rasto, mas nunca vou chegar,
A felicidade torna-se vulgar,
Cena invisível, mas banal…
Calor vazio de quem me quer amar,
Mas no fim acaba só por olhar,
Aceita enfim toda a solidão…
Matas-me,
De cada vez que quero adormecer,
Porque para mim sonhar já é sofrer,
É sentimento sem razão…
Revolta pensada, por quem deseja ser
Facilmente enganado, nesta desculpa de viver,
Em que só queremos sentir…
Exótico,
Corto a garganta e sabe-me a cristal,
Troco as ideias, tão sentimental,
Mentira é válido pudor…
Marcado,
Qualquer que seja a tua explicação,
Fogo só arde se alma é de cartão,
Parte entre as cinzas do amor…
Animal,
Olha de dentro para o que nunca fez,
Deseja ser de novo a primeira vez,
Penetra no êxtase da dor!
Revolta pensada, por quem deseja ser
Facilmente enganado, nesta desculpa de viver,
Em que só queremos sentir…
Inocente,
Manifesto o descontentamento,
Queixoso pelo aprisionamento,
De cada dia sempre igual!
Emoção,
Sinto-lhe o rasto, mas nunca vou chegar,
A felicidade torna-se vulgar,
Cena invisível, mas banal…
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
Time and portraits by Scentless
Would you pray for the kind, for the ones who didn’t lose what they get?
Or would you pray for the misleading ghosts taking us to nowhere?
Can you look in my eyes and swear that all you feel right now is the pain?
Or is there a sprinkle of the emotion that we barely saved?
Even though the sky is bruised, the winter is so dull, without snow,
The marks of an unfair war are all that I have to show…
As the fire reaches on, it’s still able of boiling my blood,
My eyes turn to red, as the discontent right now is gone…
Killing the one I was before…
As the time passes faster,
Old portraits are laughing
I wish I remembered after
I came here asking
For truth…
The anger of youth, passes me right through
Next to the window, I try to listen to the rain,
The purified emptiness controlling all that remains,
Trying to turn different, as I try to erase the shame,
But deep inside of me I still feel the meteor flames.
The rebels try to take the town at night by their own,
But they’re still there after the rise of the incriminating sun,
As the negotiations miss, bullets start to fly side by side,
The women and children run away for a chance to get high…
But that’s not happening tonight…
As the time passes faster,
Old portraits are laughing
I wish I remembered after
I came here asking
For truth…
The anger of youth, passes me right through
As the fight ends for now, I still look for a place left to sleep,
Looks like the pirates finally got in the control of the ship…
As I look to the black flag, with the skull and the bones at the wind,
I still try to remember why I ever did what I did…
Or would you pray for the misleading ghosts taking us to nowhere?
Can you look in my eyes and swear that all you feel right now is the pain?
Or is there a sprinkle of the emotion that we barely saved?
Even though the sky is bruised, the winter is so dull, without snow,
The marks of an unfair war are all that I have to show…
As the fire reaches on, it’s still able of boiling my blood,
My eyes turn to red, as the discontent right now is gone…
Killing the one I was before…
As the time passes faster,
Old portraits are laughing
I wish I remembered after
I came here asking
For truth…
The anger of youth, passes me right through
Next to the window, I try to listen to the rain,
The purified emptiness controlling all that remains,
Trying to turn different, as I try to erase the shame,
But deep inside of me I still feel the meteor flames.
The rebels try to take the town at night by their own,
But they’re still there after the rise of the incriminating sun,
As the negotiations miss, bullets start to fly side by side,
The women and children run away for a chance to get high…
But that’s not happening tonight…
As the time passes faster,
Old portraits are laughing
I wish I remembered after
I came here asking
For truth…
The anger of youth, passes me right through
As the fight ends for now, I still look for a place left to sleep,
Looks like the pirates finally got in the control of the ship…
As I look to the black flag, with the skull and the bones at the wind,
I still try to remember why I ever did what I did…
domingo, 31 de outubro de 2010
Romancista em Lágrimas by The Un{told}
Romancista sem certezas vê-se enleado nas suas tristezas. Magoado lá nos seus areais, sozinho questionar-se se prega uma doutrina falaciosa? Jamais.
Por hábito forçado a tratar feridas de forasteiros procura respostas ao espelho, na sua cara incógnita e tapada, isolada. As palavras não lhe faltam, mas àquela língua custam proferir as verdades que não suporta ouvir.
Não consegue pagar, a moeda corrente, pois este não precisa de sarar nem chorar, é possuidor do conhecimento e do sofrimento deste. Os ventos não mudam os areais que o ensinaram a amar, ele ensinar a amar os forasteiros deve para aos ventos calar.
Mas os ventos sopram a ouvidos surdos, enquanto que as tempestades fazem ouvidos surdos.
As tempestades vão e vêm, quando assobiam não é destas que ele treme mas sim o futuro, este, ele teme. Não se pode esquecer do que o futuro lhe pode trazer, um sol duradouro e campos por colher. Lá nos seus areais as tempestades são poucas mas duradouras e o sol lá não trás campos por colher, o que trás é bem mais precioso. As tempestades moldam os areais, alastram-nos tornam-nos mais espessos e certos. O que a tempestade lhe trás são lições de vida, por cada tempestade que passa ele se ergue mais, se faz ouvir mais alto.
O amor não é certo, o amor não é correcto, o amor não é previsível, o amor é ambicioso.
O amor é uma tempestade, um temporal sem moral, que agora rebenta nos seus areais, sozinho perante este monstro da natureza, de cabeça erguida, braços abertos ele se entrega nele.
Ele sabe o que o antecede, ele sabe onde falhou, ele confessa aos ventos os seus erros e medos. Estes crescem em segundos, sem misericórdia, com desdém. Observam-no de cima, murmuram e assobiam. Fazem sombra nos seus areais incandescentes, fazem pesar nos seus ideais efervescentes. Ele sabe, agora, que a culpa é sua, que também ele podia errar.
Mestre de seus areais confia nos seus ideais e profere a verdade, a que sangra da sua boca e lhe cai nos areais: Eu não padeço de ti, eu padeço por ti, eu não morro por ti, eu vivo para ti, se tu te ergues a mim, eu não me rebaixo por ti, eu ergo-me por mim. Tu és o mal de que eu sofro o mal que procuro, o sofrimento necessário à vida e a eterna dádiva. Separados somos mortais, mas juntos, somos imortais, portanto cai sobre mim e diz-me onde errei.
Tu és o amor e eu somente sou o dono do teu esplendor.
Por hábito forçado a tratar feridas de forasteiros procura respostas ao espelho, na sua cara incógnita e tapada, isolada. As palavras não lhe faltam, mas àquela língua custam proferir as verdades que não suporta ouvir.
Não consegue pagar, a moeda corrente, pois este não precisa de sarar nem chorar, é possuidor do conhecimento e do sofrimento deste. Os ventos não mudam os areais que o ensinaram a amar, ele ensinar a amar os forasteiros deve para aos ventos calar.
Mas os ventos sopram a ouvidos surdos, enquanto que as tempestades fazem ouvidos surdos.
As tempestades vão e vêm, quando assobiam não é destas que ele treme mas sim o futuro, este, ele teme. Não se pode esquecer do que o futuro lhe pode trazer, um sol duradouro e campos por colher. Lá nos seus areais as tempestades são poucas mas duradouras e o sol lá não trás campos por colher, o que trás é bem mais precioso. As tempestades moldam os areais, alastram-nos tornam-nos mais espessos e certos. O que a tempestade lhe trás são lições de vida, por cada tempestade que passa ele se ergue mais, se faz ouvir mais alto.
O amor não é certo, o amor não é correcto, o amor não é previsível, o amor é ambicioso.
O amor é uma tempestade, um temporal sem moral, que agora rebenta nos seus areais, sozinho perante este monstro da natureza, de cabeça erguida, braços abertos ele se entrega nele.
Ele sabe o que o antecede, ele sabe onde falhou, ele confessa aos ventos os seus erros e medos. Estes crescem em segundos, sem misericórdia, com desdém. Observam-no de cima, murmuram e assobiam. Fazem sombra nos seus areais incandescentes, fazem pesar nos seus ideais efervescentes. Ele sabe, agora, que a culpa é sua, que também ele podia errar.
Mestre de seus areais confia nos seus ideais e profere a verdade, a que sangra da sua boca e lhe cai nos areais: Eu não padeço de ti, eu padeço por ti, eu não morro por ti, eu vivo para ti, se tu te ergues a mim, eu não me rebaixo por ti, eu ergo-me por mim. Tu és o mal de que eu sofro o mal que procuro, o sofrimento necessário à vida e a eterna dádiva. Separados somos mortais, mas juntos, somos imortais, portanto cai sobre mim e diz-me onde errei.
Tu és o amor e eu somente sou o dono do teu esplendor.
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
Concha de fingir by Scentless
Nesta concha de fingir
Encontro razões para viver,
Onde toda a morte é mentir
E não posso adormecer…
Vejo o mundo de fora,
Por entre escamas de aço
É sempre a mesma hora,
Protejo-me só do que faço…
Aguardando a minha vez,
Encostado ao centro eu tento
Arrepender-me do que não se fez
Nessa pérola de fingimento,
Que me induz em reflexão,
Concha livre passa a teia,
Será que sabes ou não?
Porque eu não faço ideia…
Qualquer que seja o sentido
Dessa dor que passou
Mas poderia ter sido
Quem quer que fosse o que eu sou…
Passa-me o sentimento passado
Que se torna em futuro,
Enquanto vivo isolado
Dentro da concha, no escuro.
Parece que adormeci
Nos braços da minha concha de sorte,
Agora, farto do que não vivi
Preciso de alguém que me acorde!
(Vivendo na ilusão,
Por vezes a vida é mais real,
Os olhos só veêm o normal,
Mas deixam escapar a razão…
Essa…Essa é do coração)
Encontro razões para viver,
Onde toda a morte é mentir
E não posso adormecer…
Vejo o mundo de fora,
Por entre escamas de aço
É sempre a mesma hora,
Protejo-me só do que faço…
Aguardando a minha vez,
Encostado ao centro eu tento
Arrepender-me do que não se fez
Nessa pérola de fingimento,
Que me induz em reflexão,
Concha livre passa a teia,
Será que sabes ou não?
Porque eu não faço ideia…
Qualquer que seja o sentido
Dessa dor que passou
Mas poderia ter sido
Quem quer que fosse o que eu sou…
Passa-me o sentimento passado
Que se torna em futuro,
Enquanto vivo isolado
Dentro da concha, no escuro.
Parece que adormeci
Nos braços da minha concha de sorte,
Agora, farto do que não vivi
Preciso de alguém que me acorde!
(Vivendo na ilusão,
Por vezes a vida é mais real,
Os olhos só veêm o normal,
Mas deixam escapar a razão…
Essa…Essa é do coração)
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